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segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Quanto vale uma imagem?

Se você pegar alguns livros infantis mais antigos, pode conferir: em muitos deles os ilustradores sequer estão citados na capa. Por muitos anos – e há quem pense assim até hoje – a ilustração sempre se posicionava em segundo plano, era como um apoio para o texto. Hoje há dezenas e dezenas de exemplo – e já vi muito escritor assumindo isso, ainda bem – em que não há livro completo sem a ilustração. Ou seja, ela deixou de ter papel coadjuvante para dividir a contação daquela história com o escritor. 

Agora quem ainda luta pelo espaço é o livro só de imagem. Não, ele não “serve” só para crianças que ainda não sabem ler as letras. Ele é mais, muito mais. “Ler um livro ilustrado é também apreciar o uso de um formato, de enquadramentos, de relação entre capa e guardas com o seu conteúdo; é também associar representações, optar por uma ordem de leitura no espaço da página, afinar poesia do texto com a poesia da imagem, apreciar silêncios de uma em relação à outra... Ler um livro ilustrado depende certamente da formação do leitor”, escreve a francesa Sophie Van der Linden, no livro Para Ler O Livro Ilustrado, que a editora Cosac Naify acaba de lançar no Brasil. É uma belíssima definição dos caminhos que ainda temos que correr e de quanto a nossa formação cultural e educacional ainda tem lacunas a preencher. Quais são nossas referências para ler uma imagem? Um paradoxo curioso disso a gente percebe com as crianças. O livro-imagem, principalmente para os ainda não envolvidos completamente com a dependência da palavra escrita, gera uma liberdade da leitura. Uma imagem, um desenho, uma cena pode nos  dizer muita coisa e coisas diferentes um para o outro. Coisas diferentes até mesmo do que o autor imaginou. Esta é a beleza de uma arte. “A ausência da palavra escrita exige mais da imaginação do leitor”, disse Isabel Coelho, editora da Cosac Naify, em encontro sobre o tema do qual participei semana passada na USP. E aí se instala outra contradição: quanto não ouvimos por aí que a imagem – seja ilustração, da TV ou do cinema – está limita ndo a nossa imaginação? Mas agora, ainda bem, vivemos novos tempos e o desafio é ter e dar acesso a mais livros somente com imagem (no Livros pra Uma Cuca Bacana, você pode procurar na seção “livros de imagem” e achar várias opções!). Mas há cada vez mais chegando ao mercado. Pegar um livro só de imagem é um exercício do olhar. É como nos emocionarmos com uma fotografia de Henri Cartier-Bresson, ou um quadro de Van Gogh. Se já nos rendemos a isso, por que esta resistência aos livros? Livro só de imagem é literatura, sim. E das boas. E precisamos estar com eles por perto para formar um leitor. 


Cristiane Rogerio é editora de Educação e Cultura da Crescer e adora se perder entre os livros.
Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/0,,EMI232840-17926,00.htm
Imagem: Eva Furnari. Bruxa Onilda

domingo, 15 de janeiro de 2012

Leitura nas férias

Fonte: Educar para crescer
        
Foto: Dennis M. Ochsner/Getty Images


INDICAÇÕES PARA CRIANÇAS ENTRE 3 E 7 ANOS


Obax
André Neves
Editora Brinque-Book
Andre Neves, autor e o ilustrador desta aventura, narra por meio das palavras e das imagens a história de Obax, uma menina africana que vive muitas aventuras. Porém, ninguém acredita nela, afinal, na aldeia onde vive não há muito o que fazer. Invencível diante do olhar incrédulo dos adultos, ela parte para a maior delas: uma volta ao mundo em companhia do parceiro Naifa, um elefante que se perdeu de sua manada.

O Leão e o Camundongo
Jerry Pinkney
Editora Martins Fontes
Na lei da selva os mais fortes vencem os mais fracos, sempre. Neste livro, baseado nas Fábulas de Esopo, a regra não se aplica: leão e camundongo protagonizam a história como grandes salvadores. O rato, sem querer, interrompe o sono do Leão, que em um ato de piedade, solta sua presa. Mais tarde, é ele quem liberta o leão de uma armadilha de caçadores. A narrativa é costurada apenas com imagens que pedem para serem lidas e apreciadas pelas crianças.

João Esperto leva o presente certo
Candace Fleming
Editora Farol
Neste conto de princesas, o Rei convida todas as crianças do reino para a festa de 10 anos de sua filha. João, aparentemente convidado por engano, se entusiasma com a festa. Apesar da pobreza em que vive com sua família, providencia um delicioso bolo de presente para a princesa e segue a caminho do reinado. Enfrenta uma revoada de corvos, o ogro desgrenhado e a floresta silenciosa e escura. E chega, apenas, com o morango que enfeitava o doce. O que será que a princesa achou do presente?

Gildo
Silvana Rando
Brinque-Book
Gildo era muito corajoso, mas havia uma coisa capaz de fazê-lo perder o sono: as bexigas que enfeitam as festas infantis. A cada novo convite de aniversário de seus colegas de escola ficava aterrorizado, mal pregava os olhos pensando nas inúmeras bexigas que seriam entregues após soprarem as velinhas. Até que em um dia não teve como escapar: leia o livro e saiba como Gildo enfrentou o seu medo.

INDICAÇÕES PARA CRIANÇAS ENTRE 8 E 13 ANOS
Matilda
Roald Dahl
Editora Marins Fontes
Todo mundo acha que qualquer pai ou professor gostaria de ter um filho ou um aluno que adorasse ler, que preferisse os livros aos jogos de computador, televisão e outras distrações. Mas com Matilda foi diferente. Seus pais não entendiam seu gosto pela leitura. A diretora da escola menos ainda. A menina passava horas na biblioteca, lendo um livro atrás do outro e quanto mais lia, mais aumentavam seus problemas. A história terminaria em tragédia se não fosse a Srta. Mel, uma professora muito querida.

Diário de um banana: um romance em quadrinhos
Jeff Kinney
Editora Vergara & Riba
Não é fácil ser criança, crescer menos ainda. Quem já passou pela escola conhece bem os problemas enfrentados por Grag, um menino de 11 anos que, em um diário, conta as desventuras de sua vida escolar. Em uma série com 5 títulos, o garoto enfrenta os desafios da pré-adolescência: disputa entre os meninos, festas e paqueras e mudanças em seu próprio corpo. Quem gostar de Diário de um banana: um romance em quadrinhos, o primeiro da coleção, poderá se aventurar a ler os outros.

Contos de Adivinhação
Ricardo Azevedo
Editora Ática
Ricardo Azevedo, autor brasileiro, aproxima as crianças e adolescentes dos contos populares de nosso país, diminuindo a distância existente entre os centros urbanos e rurais, a metrópole e o sertão. Em Contos de adivinhação apresentam-se os tradicionais reis e príncipes ao lado de pessoas simples do sertão, com histórias que transmitem mensagens sobre a vida e a natureza. Com textos curtos, podem ser lidos em uma só sentada e desfrutados pouco a pouco.

Pippi meialonga
Astrid Lindgren
Editora Cia das Letrinhas
O mundo é pequeno para Pippi, uma menina de 9 anos que não se amedronta com pouco. Encantadora e autoconfiante, desmente o mito de que as meninas são frágeis e medrosas. Para começar, não tem pai nem mãe e mora sozinha. Feliz e contente vive a sua independência: confecciona suas próprias roupas — nada convencionais. Em companhia de um cavalo e um macaquinho mostra a todas as crianças como transformar o medo em liberdade. Se gostar desta saga, procure os outros livros da coleção.


http://educarparacrescer.abril.com.br/blog/biblioteca-basica/2011/11/22/dicas-de-livros-para-ferias

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Coisas da Língua

Para começar o ano, nada melhor do que um texto que fale das maravilhas de nossa Língua Portuguesa. Recebemos por e-mail e, embora tenhamos tentado descobrir a autoria, não encontramos. De qualquer forma, aproveitem!


Mas Que Coisa !!!
 
O substantivo "coisa" assumiu tantos valores que cabe em quase todas as situações cotidianas . 

A palavra "coisa" é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português. 

A natureza das coisas: gramaticalmente, "coisa" pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma "coisificar". E no Nordeste há "coisar": "Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar”. 

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as "coisas" nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. "E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios" (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, "coisa" também é cigarro de maconha. Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: "Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já." E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha. 

Na literatura, a "coisa" é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas. 

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de "a coisa". A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: "Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!". 

Devido lugar 

"Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (...)". A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. "Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca." Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas. Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta "Alguma coisa acontece no meu coração", de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa). 

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim! Coisa de cinema! A Coisa virou nome de filme de Hollywood, que tinha o seu Coisa no recente Quarteto Fantástico. Extraído dos quadrinhos, na TV o personagem ganhou também desenho animado, nos anos 70. E no programa Casseta e Planeta, Urgente!, Marcelo Madureira faz o personagem "Coisinha de Jesus". 

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, "coisa nenhuma" vira "coisíssima". Mas a "coisa" tem história na MPB. 

No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré ("Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar"), e A Banda, de Chico Buarque ("Pra ver a banda passar / Cantando coisas de amor"), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou. Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a tur ma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: "Coisa linda / Coisa que eu adoro". 

Cheio das coisas 

As mesmas coisas, Coisa bonita, Coisas do coração, Coisas que não se esquece, Diga-me coisas bonitas, Tem coisas que a gente não tira do coração. Todas essas coisas são títulos de canções interpretadas por Roberto Carlos, o "rei" das coisas. Como ele, uma geração da MPB era preocupada com as coisas. Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, "são tantas coisinhas miúdas"). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade ("ô coisinha tão bonitinha do pai"). Todas as Coisas e Eu é título de CD de Gal. "Esse papo já tá qualquer coisa... Já qualquer coisa doida dentro mexe." Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: "Alguma coisa está fora da ordem." 

Por essas e por outra s , é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma. 

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: "Agora a coisa vai." Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas! 

Coisa à toa 

Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: "Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente." E, no verso do poeta, "coisa" vira "cousa". 

Se as pessoas foram feitas para ser amadas e as coisas, para ser usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas? Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más. 

Mas, "deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida", cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda.
Por isso, faça a coisa certa e não esqueça o grande mandamento: "amarás a Deus sobre todas as coisas". 

domingo, 27 de novembro de 2011

Para acreditar no poder da Leitura!

Imperdível filme: "Minhas tardes com Margueritte", com Gerard Depardieu.

Sensível e especial... ilumina nossos corações assim como a leitura ilumina nossa alma!!! Veja o trailler.


Pitadas de reflexão sobre a formação de leitores III

Ser usuário da cultura escrita é o resultado de conhecer os benefícios da leitura, de entregar-nos a ela de tal modo que possamos ampliar nossa compreensão não só dos livros e dos textos, de que se tratam e como estão escritos, mas também de nós mesmos. Mas nada disso, nem o poder, nem o desfrute, nem a compreensão ou a busca de conhecimentos que a leitura torna possíveis, está ao alcance daqueles cuja primeira experiência de leitura careceu de alegria, de jogo, de prazer de entrar nas história sou a recompensa de um esforço despendido. 
Margaret Meek, En Torno a la Cultura Escrita. México, Fondo
de Cultura Económica, 2004.

Pitadas de reflexão sobre a formação de leitores II

"A leitura do professor é particularmente importante no início da escolaridade, quando as crianças ainda não lêem, por si próprias, de forma eficaz. Durante esse período, o professor cria muitas e variadas situações nas quais lê diferentes tipos de texto. Quando se trata de um conto, por exemplo, cria um clima propício para desfrutá-lo: propõe que as crianças se sentem a sua volta para que possam ver as imagens e o texto, caso queiram; lê com a intenção de provocar emoção, curiosidade, suspense ou diversão; evita as interrupções que poderiam cortar o fio da história e, portanto, não faz perguntas para verificar se as crianças estão entendendo, nem explica palavras supostamente difíceis; incentiva as crianças a seguirem o fio da narrativa (sem se deterem no significado particular de certos termos) e a apreciarem a beleza daqueles trechos cuja forma foi objeto de um cuidado especial por parte do autor. Quando termina o conto, em vez de interrogar os alunos para saber o que compreenderam, prefere comentar suas próprias impressões – como faria qualquer leitor – e, com isso, desencadeia uma animada conversa com as crianças sobre a mensagem que pode ser inferida a partir do texto, sobre o que mais impactou a cada uma, sobre os personagens com os quais se identificam ou que lhes parecem estranhos, sobre o que teriam feito se precisassem enfrentar uma situação semelhante ao conflito apresentado no conto... "
Delia Lerner
 Ler e Escrever na Escola – O Real, o Possível e o
Necessário. Porto Alegre: Artmed, 2002. 

Pitadas de reflexão sobre a formação de leitores I

"Ler para as crianças é uma das medidas mais fáceis de serem inseridas no sistema escolar com resultado. É essencial que, desde o início da escolarização, leitura e escrita estejam dotadas do sentido que realmente têm. A escola entende que ler e escrever não são atividades que se aprendem só para ler e escrever, mas também para comunicar-se com outros, para informar-se sobre os outros, para apreciar as qualidades literárias de um autor, para pensar melhor, aprofundar as idéias. A escola precisa mostrar as situações nas quais se pode trabalhar escrita e leitura com propósitos tão interessantes quanto os que são oferecidos fora da escola".

Delia Lerner, entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, em


6/11/2007.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Formação Leitora (final)

PARA A AUTONOMIA DO LEITOR

O objetivo final do ensino explícito da compreensão da leitura é tornar o aluno autônomo na sua busca de sentido. Duas abordagens tão diferentes como “aprender a ler através da resolução de exercícios” e “aprender a ler, lendo” pecam ambas pelo mesmo excesso: consideram um dado adquirido que o leitor se tornará automaticamente autônomo só por repetir a atividade de leitura. No entanto, não se pode esperar que os alunos se tornem leitores autônomos de forma autônoma. Pelo contrário, é preciso mostrar-lhes como se tornarão autônomos.
O modelo de ensino explícito oferece um quadro interessante ao professor que queira trabalhar ativamente com os alunos a compreensão na leitura. Este modelo propõe etapas específicas, partindo da responsabilização por parte do professor e conduzindo à autonomia dos alunos-leitores.

In: GIASSON, Jocelyne - A compreensão na leitura. Porto: Edições Asa, 1993.

Formação Leitora (parte II)

O ENSINO EXPLÍCITO
O ensino explícito da compreensão da leitura caracteriza-se por colocar o aluno numa situação de leitura significativa e integral. é um modelo que procura tornar os leitores autônomos, desenvolvendo neles não só competências, mas também estratégias que poderão utilizar de modo flexível segundo a situação. Estas podem ser muito variadas: podem consistir, por exemplo, em encontrar o sentido das palavras desconhecidas recorrendo ao contexto, em extrair as principais ideias de um texto, em construir uma imagem mental de uma personagem ou de um acontecimento.
Etapas do ensino explícito
O ensino explícito sobre a leitura tem como objeto as estratégias de compreensão.
1. DEFINIR A ESTRATÉGIA E PRECISAR A SUA UTILIDADE
à partida é importante definir a estratégia, utilizando uma linguagem adequada aos alunos e explicar-lhes porque é que ela lhes será útil para a compreensão de um texto. No entanto, o fato de se ensinar uma estratégia não assegura, só por si, que eles a utilizem nas suas leituras pessoais. é, portanto, necessário, sublinhar a relação entre a sua utilização e o progresso do desempenho do aluno. Exemplo: “Serás capaz de responder corretamente a muito mais perguntas se utilizares... (nomear a estratégia)”.
Contudo, explicar uma estratégia de leitura não é uma tarefa fácil e exige uma preparação minuciosa.
2. TORNAR O PROCESSO TRANSPARENTE
No ensino de uma estratégia de leitura, é necessário explicitar verbalmente o que se passa na mente de um leitor consumado durante o processo. Uma vez que os processos cognitivos não podem ser observados diretamente, os de leitura devem ser ilustrados. Por exemplo, durante uma leitura em voz alta, perante uma palavra desconhecida, o professor pode dizer aos alunos: «Eu não conheço o significado exato desta palavra. Penso que quer dizer xxxx, mas não tenho a certeza. Vamos ver se o resto do texto nos pode ajudar a descobrir o seu significado.» O professor prossegue a leitura e menciona, à medida que avança, os elementos que vêm confirmar, precisar ou infirmar a sua hipótese.
3. INTERAGIR COM OS ALUNOS E ORIENTÁ-LOS PARA O DOMÍNIO DA ESTRATÉGIA
Consiste em levar os alunos, em seguida, a dominarem a estratégia ensinada dando indícios, fazendo recontos e diminuindo gradualmente a ajuda dada.
4. FAVORECER A AUTONOMIA NA UTILIZAÇÃO DA ESTRATÉGIA
Este momento serve para consolidar as aprendizagens. Nesta etapa o aluno assume quase toda a responsabilidade pela escolha e aplicação da estratégia ensinada. Após algumas utilizações autônomas da estratégia, o professor orienta os alunos que têm dificuldades, a fim de evitar a cristalização de uma aplicação ineficaz.
5. ASSEGURAR A APLICAÇÃO DA ESTRATÉGIA
O professor incentiva o aluno a aplicar a estratégia ensinada nas suas leituras pessoais. Insiste sobre o «quando utilizar essa estratégia». Deve sensibilizar os alunos para o fato de que uma estratégia não se utiliza indiscriminadamente. é preciso avaliar em que momento específico ela será útil à compreensão do texto. Por exemplo, a representação mental será útil na compreensão de um texto narrativo, mas pode não ser adequada no processo de compreensão de um texto abstrato.

In: GIASSON, Jocelyne - A compreensão na leitura. Porto: Edições Asa, 1993.

A compreensão Leitora (parte I)

A leitura é um processo interativo no qual o leitor cria o sentido do texto, servindo-se simultaneamente dele, dos seus próprios conhecimentos e da sua intenção de leitura.
Os conhecimentos que o aluno desenvolveu sobre o mundo que o rodeia, constituem um elemento crucial na compreensão dos textos que terá que ler. Sem referências, um objeto complexo, como um texto, não é apenas difícil de interpretar, mas, para falar com rigor, não tem significação. Ou seja, a compreensão na leitura só acontece quando se possui um conhecimento prévio com o qual se relaciona a informação fornecida pelo texto. Para compreender, o leitor deve estabelecer relações entre essa informação e os conhecimentos que já detém.
Os alunos tornam-se leitores competentes se os programas curriculares forem ricos em conceitos de todo o tipo: história, geografia, ciência, arte, literatura... Qualquer conhecimento adquirido pode eventualmente ajudá-los na compreensão. Um programa vazio de conceitos pode produzir leitores que não compreendem o que lêem. O que os alunos desconhecem constitui uma desvantagem para eles.
A compreensão na leitura resulta da interação entre o leitor, o texto e o contexto. Para favorecer a compreensão, é preciso que as três variáveis se organizem adequadamente:
· O leitor detém os conhecimentos necessários para compreender o texto;
· O texto está adequado ao seu nível de competência;
· O contexto psicológico, social ou físico favorece a sua compreensão.
O professor deve ser um modelo e um guia na atividade intelectual do aluno. Esta abordagem, inspirada em Vygotsky, permite sustentar que, através das suas interações, a criança desenvolve competências com quem as possui. O professor pode explicar aos alunos quais são as estratégias utilizadas por um leitor consumado e como elas podem ser aplicadas num contexto funcional.
O ensino da compreensão deve ir mais longe do que o simples fato de se fazerem perguntas ou de se mandar repetir atividades de leitura. é preciso acrescentar uma função explicativa: o professor deve dizer aos alunos porque é que uma resposta não é adequada e como pode utilizar estratégias para chegar a melhores respostas.

In: GIASSON, Jocelyne - A compreensão na leitura. Porto: Edições Asa, 1993.

Para formar leitores...

Na última enquete realizada aqui no blog, questionávamos se nossos visitantes realizavam leituras literárias para seus alunos. Como resultado, encontramos o seguinte panorama:
** 78% diz realizá-la todos os dias;
** 14% apontou realizar sempre que cabia em sua rotina de sala de aula;
** 7% indicou que realiza apenas em momentos específicos da aula, como para acalmar os alunos, ou quando faltam poucos minutos para a hora da saída, ou ainda quando faltam muitos alunos e não é possível "iniciar uma nova matéria".

O que esses resultados nos fazem pensar? Qual é o lugar da escola na formação leitora dos alunos, ou ainda, no investimento dos hábitos de leitura? Quais são as oportunidades de ouvir histórias lidas oferecidas às nossas crianças?
Tais questões são cruciais se pretendemos fazer da escola um espaço de ascensão cultural e de oferta de condições igualitárias a todos que por ela passam!
Nas palavras de Gianni Rodari,
"Total uso da palavra a todos, me parece um bom lema, de bonito som democrático. Não para que todos sejam artistas, mas para que ninguém seja escravo".

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Indicação Literária de MAIO

Oi, pessoal,

Tem uma dica literária fresquinha esperando por você! Role a página e leia, no canto direito, a indicação preciosa do mês!!!

terça-feira, 12 de abril de 2011

Livro Contado

No site da revista Crescer, há uma seção chamada LIVRO CONTADO, no qual um grupo conta a história de um determinado livro. O que indico abaixo, chama "A história mais longa do mundo", de Rosane Pamplona, editora Brinque-Book. O grupo que encanta com a "leitura" cheia de recursos e artíficos é o "As meninas do conto".

Vale a pena conferir!
http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/1,,15466,00.html#videoEmbeded

quinta-feira, 31 de março de 2011

Que livro você é?

Já pensou nisso: se você fosse um livro, qual seria? De romance, aventura, suspense, comédia?
Bem, talvez não saibamos ao certo, mas no site Educar para Crescer, há disponível um teste bem divertido que tenta responder a essa questão. Vale a pena tentar!
Acesse:
http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml

terça-feira, 29 de março de 2011

Livros para o começo de uma vida inteira...

Dezoito educadores selecionaram 204 obras essenciais para serem lidas da Educação Infantil ao Ensino Médio.
A seleção está excelente! Vale a pena visitar o site e "fuçar" tudo!!! Tome nota e boas leituras!

http://educarparacrescer.abril.com.br/livros/index.shtml

segunda-feira, 14 de março de 2011

Atividade: Cartaz para Leitura

Para tornar-se um leitor que aprecia e desfruta dos textos literários, um dos fatores decisivos é fazer parte de uma comunidade de leitores.(...) Disponibilizar material de leitura é fundamental e certamente irá contribuir. Entretanto, para garantir a formação de leitores, é preciso que os alunos participem das diferentes práticas de leitura que existem socialmente. Quais são as práticas de leitura dos leitores de textos literários fora da escola?

VEJAMOS... EM PRIMEIRO LUGAR: PARA QUE LER?
Para se entreter, para se divertir, para imaginar lugares nunca visitados, para viver a vida na pele de outra pessoa, para se emocionar, para aprender, para se desligar do cotidiano, para saber como viviam as pessoas em outros lugares...
E COMO LEEM OS LEITORES DE LITERATURA?
Devoram livros inteiros, apreciam aos pouquinhos, não descolam os olhos das linhas enquanto balançam no ônibus, leem em voz alta para emocionar os amigos, escolhem um trecho para copiar, vão às lágrimas, riem sozinhos...
E os leitores gostam, principalmente, de conversar com outros leitores: "Você já leu este livro? Conhece o autor? Já leu aquele outro livro dele? O que achou do fim? Eu gostei principalmente porque...". E assim por diante.
Queremos criar na escola não só o hábito de ler, mas de compartilhar a leitura e suas impressões sobre os textos lidos. Este cartaz é um instrumento para estimular qeu os nossos pequenos leitores registrem suas leituras, suas opiniões sobre o que foi lido, socializando-as com o grupo.
ALGUMAS DICAS E ORIENTAÇÕES DE USO
Como vocês já sabem, as situações de leitura podem ser variadas: leitura diária do professor, leitura compartilhada (dos livros repetidos), leitura individual dos alunos em sala de aula, leitura em casa. Todas essas situações podem ser associadas ao preenchimento do cartaz. (...)
O cartaz pode ser utilizado de diferentes formas. Por exemplo:
1. Você lê uma história em voz alta e, depois, pede que cada dupla de alunos converse alguns minutos entre si para fazer a avaliação da leitura que será registrada no cartaz. Depois que cada dupla dá sua opinião, você faz a média para colocar na coluna "total" qual foi a avaliação da maioria. Claro que mais importante do que a nota em si é pedir que os alunos justifiquem sua opinião.
2. Durante uma semana anote quais são os livros mais lidos e, num dia marcado para a "roda de biblioteca", registre as opiniões de todos os que leram estes livros.
3. Quando o cartaz estiver preenchido, converse com eles sobre:
a) Quais os autores mais lidos?
b) Quais as histórias mais bem avaliadas ou por que todos gostaram mais desta ou daquela história?
c) Quais os gêneros favoritos? Poesia? Humor? Contos de assombração? Contos de fadas? Fábulas?
d) Quais os personagens mais interessantes? Heróis? Vilões? Seres mágicos? Animais?
4. Vocês podem trocar o cartaz com o de outra turma não só para comparar opiniões no caso de haver livros lidos pelas duas turmas, como também para saber quais são os livros mais indicados.
5. A partir do preenchimento do cartaz também é possível propor a escrita de resenhas para os livros favoritos. As resenhas podem ser colocadas no mural da escola, da própria classe ou serem enviadas para outra turma da mesma série. Mas não se esqueça, para que escrevam resenhas precisam ler várias delas e discutir como são escritas.
6. Ao final do ano, os cartazes de todas as turmas podem ser reunidos e a escola pode fazer um "ranking" com os dez livros preferidos de todas as séries. Junto a essas listas podem ser expostos os comentários dos alunos.

*FONTE: Sec. de Educ. do Est. de SP - Programa Ler e Escrever

terça-feira, 1 de março de 2011

Cantinho da leitura


Em fevereiro postei uma dica imperdível em nosso cantinho de leitura: "O carteiro chegou", da Companhia das Letrinhas.

Agora em março a dica é sobre o livro "O caso da lagarta que tomou chá de sumiço", eleito um dos melhores livros para crianças em 2010. Leia a resenha ao lado!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Dica: Organizar Diários de Leitura!

A idéia dos diários não é nova, porém poucos professores realmente conseguem introduzir essa prática em seu cotidiano, escolar ou pessoal. Os diários não trazem apenas o registro do que se leu, mas daquilo que se deseja ler, daquilo que ouviu dos companheiros e amigos, daquilo que viu no cinema e que sabe-se é literatura, de trechos que não quer esquecer, de como, quando e onde teve acesso ao livro lido, de atividades que fez, de textos recebidos por amigos, enfim... É um registro precioso do contato com as formas de ler e, evidentemente, as narrativas lidas. O professor pode propor, para um começo e uma tentativa de contágio, um Diário Coletivo: cada aluno escreve um dia, em casa, sobre as atividades de leitura, sobre os livros lidos. Quem sabe um caderno caprichado, bonito de se ver, pode tornar-se um caprichado, bonito de se ler e um documento precioso para aquela turma.

* fonte: "Proposta de trabalho com acervo literário no Programa Ler e Escrever" - Celinha Nascimento